아르테미스 2가 화성 탐사의 발판이 될 수 있는 이유

Entenda por que a Artemis 2 pode ser um passo para Marte

Folha de Sao Paulo Gabriel Gama PT 2026-04-09 07:00 Translated
아르테미스 2 미션이 이번 금요일(10일) 막을 내릴 예정이다. 우주인들을 지구로부터 40만 6,700km 떨어진 곳까지 데려갈 이 미션은 인류가 도달한 가장 먼 거리다. 하지만 이 기록은 앞으로 수년 내에 깨질 수 있다. 언론사와 인터뷰한 전문가들은 달 탐사 프로그램을 화성 유인 착륙의 중요한 선행 단계로 평가했다. 자세히 보기 (2026년 9월 4일 - 04시 00분)
A missão Artemis 2 deve chegar ao fim nesta sexta-feira (10), após levar astronautas a 406,7 mil quilômetros da Terra, o ponto mais distante que humanos já alcançaram. Mas o recorde pode ser quebrado nos próximos anos: especialistas ouvidos pela Folha veem o programa lunar como uma etapa crucial antes de um possível pouso tripulado em Marte.

Christina Koch, 47, a primeira mulher a sobrevoar a Lua, afirmou desejar que a história se esqueça da viagem da qual ela faz parte. "Falamos sobre nosso legado como algo que viabiliza as missões futuras, da Artemis 3 até a Artemis 100 e as missões a Marte", disse, em entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS News, antes da decolagem.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu declarações no mesmo sentido durante uma ligação com o quarteto da Artemis 2 após o grupo observar a face oculta do satélite natural. "Acabei de ver vocês irem para o lado oculto da Lua, e faz muito tempo que ninguém vai lá [à Lua], mas isso vai se tornar cada vez mais comum", afirmou. "Depois, vocês vão fazer a grande viagem até Marte, e isso vai ser muito empolgante."

A missão marca a primeira vez em que humanos viajam na cápsula Orion e no foguete SLS. É possível que a espaçonave seja usada em etapas das viagens a Marte. Por isso, especialistas dizem que a jornada da Artemis 2 à Lua é importante para aumentar a segurança em uma possível viagem até o planeta.

"É como um carro novo. Vários testes são feitos pelo fabricante até o veículo estar pronto para ser comercializado", compara o astrofísico Ricardo Ogando, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer.

A missão testa sistemas vitais para o transporte de astronautas ao espaço profundo, incluindo o escudo térmico da Orion, que precisa resistir a temperaturas próximas a 2.760°C durante a reentrada na atmosfera.

"A Artemis 2 viajou por regiões onde a carga de radiação, principalmente vinda do Sol, era muito alta. Cada astronauta usou sensores para medir a radiação em tempo real, algo necessário para estudar como preservar a vida humana em viagens mais longas, como a Marte", diz Filipe Monteiro, astrônomo do Observatório Nacional.

Roberta Duarte, doutora em astrofísica pela USP, também vê a missão como um passo importante para validar tecnologias do século 21, que não foram usadas durante as missões Apollo. "Estamos no período de testar em um ambiente real de microgravidade, não é mais em um laboratório", diz.

A Artemis 2 compõe uma sequência de missões que, segundo os planos da Nasa, devem levar à instalação de uma base permanente na Lua. A agência planeja investir US$ 20 bilhões nos próximos sete anos, com a primeira habitação prevista para 2033.

A presença constante no satélite natural seria essencial para pavimentar viagens interplanetárias, inclusive na montagem das estruturas que poderiam ser enviadas até Marte um dia.

O planeta vermelho está a uma distância de 55 milhões a 400 milhões de quilômetros da Terra, a depender da posição na órbita ao redor do Sol, e a Lua fica a aproximadamente 385 mil km, com a ressalva de que esse dado sofre variações. A viagem duraria por volta de nove meses, enquanto a ida ao satélite natural é feita em poucos dias.

"A radiação cósmica no espaço profundo deve ser muito mais desafiadora, tanto para humanos quanto para equipamentos", diz Ogando.

Duarte acrescenta que a jornada até Marte deverá envolver manobras para acelerar a nave usando a gravidade da Terra, o que já foi testado na Artemis 2.

Antes de assumir o posto de administrador da Nasa, Jared Isaacman propôs lançar uma missão não tripulada (sem astronautas a bordo) ao planeta ainda em 2026 —esse prazo, hoje, parece pouco crível. Um documento publicado em 2025 cita o potencial para um "contrato de Base de descoberta de Marte", ligado a um novo programa chamado Projeto Olympus, que testaria tecnologias para o pouso em solo marciano.

O documento menciona a possibilidade de colocar a cápsula Orion no foguete New Glenn, da Blue Origin, a empresa espacial de Jeff Bezos. Em janeiro, a companhia anunciou que vai pausar o lançamento de voos voltados ao turismo no espaço para se concentrar na construção de um módulo de pouso lunar para a Nasa.

O plano também envolve a SpaceX, comandada por Elon Musk. A empresa pretende dar início ao projeto do bilionário de construir uma cidade em Marte, mas passou a priorizar a criação de uma base na Lua em menos de uma década. Antes, Musk defendia a ida direto ao planeta vermelho e classificava o posto lunar como uma "distração".

O pouso em Marte abriria uma nova fronteira científica. Ogando diz que seria possível avançar no conhecimento com robôs mais equipados, mas analisa que a principal motivação seria a inovação tecnológica.

"Marte é o planeta que a gente olha e pensa que talvez tenha respostas para muitas perguntas, por exemplo, se só existe vida na Terra", afirma Duarte. Ela acrescenta que ainda não se sabe se há recursos naturais valiosos no planeta vermelho —na Lua, a corrida espacial entre a China e os EUA já envolve a cobiça por minérios e água.

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