중국이 결혼과 모성에 반대하는 게시물 삭제, 검열 캠페인의 새로운 단계

China derruba postagens contra o casamento e a maternidade em novo passo de campanha de censura

Folha de Sao Paulo Victoria Damasceno PT 2026-04-11 11:00 Translated
중국 코미디언 샤오파가 발열증상을 겪으며 웨이보 소셜 미디어 계정에 공유했다. 남편과 자녀가 있었다면 아마도 벽에 기대어 병든 상태로도 요리를 해야 했을 것이라고 게시물에 덧붙였다.
중국 코미디언 샤오파가 발열증상을 겪으며 웨이보 소셜 미디어 계정에 공유했다. 남편과 자녀가 있었다면 아마도 벽에 기대어 병든 상태로도 요리를 해야 했을 것이라고 게시물에 덧붙였다.

그 직후 그녀의 프로필은 사라졌다.

중국 및 대만 언론이 보도한 이 사건은 중국 사이버스페이스 관리청이 소셜 미디어 사용자들이 가족 형성 개념에 반대하는 정보를 게시하는 것을 금지하려는 노력의 일부이다.

"청명하고 깨끗한" 캠페인의 또 다른 단계로, 중국 사이버스페이스 관리청은 플랫폼들에 결혼 및 부모됨 반대의 찬양, "성별 대립"과 같은 "해로운 가치관"을 퍼뜨리는 콘텐츠에 대한 심층 검색을 수행하도록 지시했다.

2019년에 시작된 이 캠페인은 "악의적으로 부정적인 감정을 자극"하기 위해 만들어진 게시물을 억제하는 것을 목표로 하며, 긍정적이고 평화로운 온라인 환경을 만든다는 명목으로 국가의 야심에 반대하는 콘텐츠가 인터넷에 남아있는 것을 방지하려는 중국 정권의 일련의 노력의 일부이다.

광범위한 지시문으로, 이 조치는 이미 정권에 반대하거나 LGBTQIA+ 권리를 지지하는 게시물에 적용되었다. 2022년 이 기관은 약 14억 개의 계정에서 200억 개의 게시물을 이미 삭제했다고 밝혔다.

코미디언의 사건에 대해 웨이보의 공식 계정은 프로필이 "성별 대립을 선동하고 결혼 및 부모됨에 대한 불안을 야기하며 관련 법률 및 규정을 위반하는 정보를 게시했다"는 이유로 금지되었다고 밝혔다.

폴하는 이 캠페인에 대해 질문하기 위해 중국 사이버스페이스 관리청에 연락했으나 본 보도 발행까지 응답을 받지 못했다.

이 이니셔티브의 새로운 장은 1949년 중화인민공화국 설립 이후 최악의 출생률 공개에 이어 발표되었다. 2025년 중국은 4년 연속으로 출생수보다 사망수가 많았으며, 이는 음의 자연 증가로 나타났다 — 수십 년간의 한 자녀 정책의 반영 중 하나이다.

뉘질랜드 캔터베리 대학교의 중국 정치 전문가이자 교수인 앤 마리 브래디는 중국이 "심각한 연령층 불균형"을 겪고 있으며, 이로 인해 베이징이 가족이 자녀를 한 명만 가지도록 요구하는 것을 중단하고 젊은 부부들에게 여러 명을 가지도록 압박하게 되었다고 주장한다.

이 문제는 정권의 지도부가 직면한 가장 심각한 문제 중 하나이며, 결혼, 임신 및 아동 발달을 장려하기 위한 일련의 조치를 채택했다.

총리 리창은 "양회"라고 불리는 중국 의회 연례 회의 개막식의 전통적인 연설에서 중국은 첫 자녀를 가진 사람들에 대한 지원을 강화할 의도가 있다고 밝혔다. "우리는 결혼과 출산에 대한 긍정적 인식을 옹호하고 출산 친화적 사회를 건설할 것입니다"라고 선언했다.

이러한 발언은 국가의 젊음을 필요한 현대화와 경제 성장 및 사회적 안정성과 연결하는 리더 시진핑의 메시지를 반향시킨다. 2023년 중국 전국부녀연합회 지도부와의 만남에서 시 주석은 중국 여성의 대의가 항상 중국 공산당과 완벽한 동조를 유지해야 한다고 밝혔다.

"우리는 적극적으로 결혼과 모성의 새로운 문화를 배양하고, 청년들을 대상으로 결혼, 사랑, 모성 및 가족에 대한 지도를 강화해야 합니다"라고 국영 신화 통신사에 따르면 지도자가 말했다.

비평가들은 이 담론과 새로운 캠페인이 주로 여성의 권리를 억압하며, 여성들이 정권의 인구 목표를 따라야 하고 자녀를 가지기로 하는 결정이 더 이상 개인적인 문제가 아니라 국가적 의무라는 메시지를 전하는 것을 목표로 한다고 주장한다.

미국 조지아 주립대학교 교수이자 중국 정치 커뮤니케이션 전문가인 마리아 레프니코바는 새로운 지침이 전통적인 것으로 간주되는 성별 및 가족 가치를 홍보하고 사회 질서를 유지하려는 국가 및 정당의 노력을 나타낸다고 말한다.

"이는 대체 성별 표현을 피할 뿐만 아니라 더 높은 출생률과 국가에 도전하지 않는 전통적 가족 구조를 홍보하려는 오랜 캠페인에 기초하고 있습니다"라고 말한다.

Uma comediante chinesa, Xiao Pa, estava com febre e decidiu compartilhar o problema em sua conta na rede social Weibo. Adicionou à publicação que, se tivesse marido e filhos, provavelmente teria que se escorar na parede e cozinhar mesmo doente. Leia mais (04/10/2026 - 23h00)

Uma comediante chinesa, Xiao Pa, estava com febre e decidiu compartilhar o problema em sua conta na rede social Weibo. Adicionou à publicação que, se tivesse marido e filhos, provavelmente teria que se escorar na parede e cozinhar mesmo doente.

Pouco depois, seu perfil desapareceu.

O caso, relatado pela mídia chinesa e taiwanesa, faz parte dos esforços da Administração do Ciberespaço da China para proibir que usuários de redes sociais publiquem informações contrárias à ideia de construir família.

Em mais um passo da campanha "Claro e Limpo", a Administração do Ciberespaço da China determinou que as plataformas façam uma varredura aprofundada em busca de conteúdos que difundem "valores prejudiciais", como a exaltação da oposição ao casamento e à maternidade e à paternidade, além do "antagonismo de gênero".

A campanha, lançada em 2019, tem como objetivo coibir publicações feitas para "incitar maliciosamente emoções negativas" e faz parte de uma série de esforços do regime chinês para impedir que conteúdo contrário às ambições estatais permaneça na internet, sob a justificativa de criar um ambiente online positivo e pacífico.

Com determinações amplas, a medida já foi aplicada em publicações contrárias ao regime ou favorável aos direitos LGBTQIA+, por exemplo. Em 2022, o órgão afirmou que já havia retirado do ar 20 bilhões de publicações em cerca de 1,4 bilhão de contas.

Sobre o caso da comediante, uma conta oficial do Weibo afirmou que o perfil foi banido "por publicar informações que incitavam o antagonismo de gênero e geravam ansiedade em relação ao casamento e a maternidade e paternidade, violando leis e regulamentos pertinentes".

A Folha entrou em contato com a Administração do Ciberespaço da China questionando a campanha, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

O novo capítulo da iniciativa foi anunciado na esteira da divulgação da pior taxa de natalidade do país desde a fundação da República Popular, em 1949. Em 2025, a China teve mais mortes do que nascimentos pelo quarto ano consecutivo, configurando um crescimento natural negativo —um dos reflexos das décadas de política do filho único.

Anne-Marie Brady, especialista em política chinesa e professora na Universidade de Canterbury (Nova Zelândia), afirma que o país tem um "agudo desequilíbrio etário", o que levou Pequim a deixar de exigir que as famílias tivessem apenas um filho para passar a pressionar jovens casais a terem vários.

O problema é um dos mais graves enfrentados pela cúpula do regime, que tem adotado uma série de medidas para incentivar o casamento, a gravidez e o desenvolvimento infantil.

O primeiro-ministro Li Qiang, em seu tradicional pronunciamento na abertura da reunião anual do Parlamento chinês, as chamadas Duas Sessões, afirmou que a China pretende reforçar o apoio para quem tem o primeiro filho. "Defenderemos uma visão positiva sobre casamento e procriação e construiremos uma sociedade favorável à natalidade", declarou na ocasião.

As falas ecoam as mensagens do líder Xi Jinping, que associa o rejuvenescimento da nação à modernização necessária para o crescimento econômico e a estabilidade social. Em 2023, em encontro com a liderança da Federação Nacional das Mulheres da China, Xi afirmou que a causa das mulheres no país deve sempre estar em perfeita sintonia com o Partido Comunista Chinês.

"Devemos cultivar ativamente uma nova cultura de casamento e maternidade, fortalecer a orientação dos jovens sobre casamento, amor, maternidade e família", disse o líder, segundo a agência estatal Xinhua.

Críticos afirmam que os discursos e a nova campanha visam principalmente suprimir direitos das mulheres, transmitindo a mensagem de que elas devem seguir os objetivos demográficos do regime e que a decisão de ter filhos não é mais algo pessoal, mas um dever nacional.

Para Maria Repnikova, professora na Universidade Estadual da Geórgia (EUA) e estudiosa da comunicação política chinesa, a nova diretriz é uma manifestação do esforço do Estado e do partido para promover valores de gênero e de família considerados tradicionais e, assim, manter a ordem social.

"Isso se apoia em uma campanha de longa data não apenas para evitar expressões alternativas de gênero, mas também para promover taxas de natalidade mais altas e estruturas familiares tradicionais que não desafiem o Estado", afirma.

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