위임장이 SUS 인슐린 공급업체를 PCC와의 연루 혐의를 받는 범죄 조직망과 연결

Procurações ligam fornecedora de insulina do SUS a rede criminosa de investigados por elo com PCC

Folha de Sao Paulo Mateus Vargas, José Marques, Thaísa Oliveira PT 2026-04-09 07:00 Translated
보건부로부터 1억 9천만 레알을 계약한 의약품 유통업체 스타르 파르마는 2025년 말까지 PCC(수도 제1사령부)의 정식 경제 진출을 추적하는 '숨겨진 탄소 작전'의 수사 대상들을 대리하는 여성을 유일한 지분 소유자로 두고 있었던 것으로 나타났다. 자세히 보기 (2026년 9월 4일 - 오전 4시)
A distribuidora de medicamentos Star Pharma, contratada por R$ 190 milhões pelo Ministério da Saúde, teve até o fim de 2025 como única sócia uma mulher que também é representante de alvos da operação Carbono Oculto, que apura a inserção do PCC (Primeiro Comando da Capital) na economia formal.

Andrea Cristina Alves Borges recebeu procurações de ao menos cinco empresas de diferentes ramos, como formulação e distribuição de combustível, lojas de conveniência e uma investidora. Investigadores consideram todas elas ligadas a Mohamad Hussein Mourad, o Primo, que está foragido e negocia um acordo de delação premiada.

Andrea também comandou duas outras empresas transferidas a ela por Amine, irmã de Mourad. Um dos empreendimentos é um motel, repassado em 2025 para um ex-gerente de postos de gasolina, também alvo de buscas e de bloqueio de bens na Carbono Oculto.

Na representação que baseou a operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, o Ministério Público incluiu a Star Pharma em uma lista com dezenas de empresas que seriam ligadas "direta ou indiretamente" ao Primo, mas a distribuidora não foi alvo de buscas ou outras medidas.

A investigação mira a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e no mercado financeiro. Primo é apontado como "epicentro" do esquema que se vale de "centenas de empresas constituídas sob a titularidade de terceiros" para ocultar e lavar dinheiro, ainda segundo a representação.

Até o momento, as ações não tiveram como foco empresas com contratos do SUS. A Star Pharma fornece desde 2024 insulina e preservativos ao governo federal. Andrea deixou de ser sócia da companhia no ano passado.

Em nota, a atual administração da Star Pharma disse que qualquer suspeita não se relaciona com a atual gestão e que todas as suas relações comerciais são pautadas pela regularidade, transparência e conformidade.

O Ministério da Saúde afirmou que a empresa assinou contratos após apresentar descontos de até 30% em licitações. A pasta disse que a distribuidora cumpriu exigências previstas na legislação e que "supostas práticas criminosas" dos acionistas eram desconhecidas e não teriam como constar no processo de contratação.

A reportagem tentou entrar em contato com Andrea por telefone, mensagem de celular e email na semana passada, mas não recebeu respostas.

Relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) dizem que Andrea teve procuração da formuladora de gasolina Copape e da distribuidora Aster. As duas empresas foram compradas por Primo em 2020 e são investigadas por fraudes fiscais e contábeis. Elas seriam usadas, segundo investigadores, para esquentar o dinheiro de atividades criminosas do PCC.

As ligações de Andrea se estendem a outras empresas da família do Primo. Ela representou a rede de lojas de conveniências Khadige e a investidora Insight Participações, da qual teve procuração para movimentar contas, segundo o Coaf.

Os relatórios não informam o período em que Andrea representou os investigados.

A Folha localizou em cartório de São Paulo duas procurações do fim de 2021 permitindo que ela comprasse imóveis para a Insight (já citada pelo Coaf) e outra para uma empresa que pertencia a Tharek Bannout. Cunhado do primo de Mourad, ele é apontado pelos investigadores como dono de postos de gasolina e padarias usadas no suposto esquema. As procurações seguem válidas, segundo o cartório.

Além disso, os relatórios do Coaf citam ainda a Star Pharma como beneficiária de recursos do fundo Mabruk II e do BK Bank, também investigados. Os documentos não detalham os valores das transações.

Em nota, o BK Bank disse que não recebeu ou enviou recursos em seu nome para a Star Pharma e que as transações feitas por meio de sua plataforma são identificadas e registradas nas contas individualizadas dos clientes.

A Star Pharma foi criada em Niterói (RJ) em 2021 e transferida no ano seguinte para Barueri (SP). A empresa tem mais de R$ 150 milhões em contratos para entrega de insulina ao ministério, produto que não tem registro da Anvisa e foi comprado sob argumento de escassez no mercado nacional. A distribuidora ainda entrega preservativos.

A Star Pharma ainda aparece em uma operação frustrada de entrega de R$ 87 milhões em imunoglobulina ao SUS, em 2023, que seria financiada pela Insight e fornecida por outra empresa, a Farma Medical.

Em setembro daquele ano, a Insight emitiu um documento afirmando que a Farma Medical deveria transferir R$ 2,62 milhões para conta da Star Pharma para amortizar a dívida pela compra do produto. Uma advogada que hoje defende a Star Pharma representou a Insight na assinatura.

Em 2025, Andrea deixou a Star Pharma, que passa a ter como única sócia a farmacêutica Emanuela Medrades, que já atuava na empresa ao menos desde 2023.

Documentos obtidos pela reportagem mostram diálogos em que Roberto Leme, conhecido como Beto Louco, reclama para Emanuela Medrades sobre o pagamento da imunoglobulina. Como mostrou a Folha, a compra não foi adiante após a Anvisa interditar a carga.

"Precisamos resolver isso. Muita grana, e está ruim entrar essa grana logo, entende? Entrando esta grana ficamos bem, sensação boa entende? Está foda esta exposição", disse Beto Louco, na conversa de outubro de 2023, a qual Folha teve acesso.

Medrades afirma que a Insight foi indicada pela Reag —gestora que também foi alvo da Operação Carbono e acabou liquidada por causa da relação com Banco Master— para financiar a compra de imunoglobulina e que ela atuou no processo de forma "técnica e pontual" após o "insucesso da operação".

Em nota, a Reag negou relação com a Insight e disse que não financiou a compra.

Beto Louco também está foragido e negocia delação. Ele era gerente da Copape e da Aster e teria papel de coordenação no esquema criminoso, segundo a Carbono Oculto.

Medrades depôs à CPI da Covid, em 2021, no caso envolvendo a venda da vacina indiana Covaxin ao governo de Jair Bolsonaro (PL) pela empresa Precisa Medicamentos, da qual era diretora.

Procurada por mensagem na manhã do dia 31 de março, a defesa de Beto Louco não se manifestou. A defesa de Primo e de Tharek não foi localizada. A Aster e a Copape também foram procuradas por seus emails de contato na semana passada, mas não se manifestaram.

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