이란 전쟁이 에너지 전환을 방해할까?

A guerra no Irã vai atrapalhar a transição energética?

Folha de Sao Paulo PT 2026-04-09 07:00 Translated
이란 전쟁으로 촉발된 가스 가격 급등이 아시아와 유럽 국가들을 경제 활성화를 위해 석탄으로 눈을 돌리게 하고 있다. 자세히 읽기 (2026년 9월 4일 - 오전 4시)
A disparada dos preços do gás impulsionada pela guerra no Irã está empurrando países da Ásia e da Europa em direção ao carvão para abastecer suas economias.

Na Ásia, a Tailândia reativou usinas termelétricas a carvão, enquanto Japão e Coreia do Sul suspenderam os limites para a queima do combustível poluente, já que o conflito no Oriente Médio aumenta temores sobre fornecimento de gás.

Na Europa, a Itália adiou em mais de uma década, para 2038, o prazo para encerrar a geração de energia a carvão. Na Alemanha, usinas a carvão têm produzido mais eletricidade do que termelétricas a gás desde o início da guerra.

O carvão pode se beneficiar no curto prazo, mas analistas afirmam que a guerra deve acelerar a implantação de tecnologias mais limpas no longo prazo, à medida que governos ao redor do mundo buscarão reduzir a dependência de importações de combustíveis fósseis de regiões voláteis.

"De modo geral, é positivo para as renováveis", diz Miguel Stilwell d'Andrade, presidente-executivo da EDP, desenvolvedora global de energias renováveis com sede em Portugal. "Isso apenas reforça a ideia de que precisamos ser mais independentes [em termos energéticos] e as renováveis são mais imunes a choques."

O carvão recebeu um impulso semelhante após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, quando países como a Alemanha foram forçados a depender do combustível para atender à demanda, já que o Kremlin reduziu o fornecimento de gás por gasodutos.

Mas no longo prazo, a expansão das renováveis foi mais rápida do que a do carvão. A capacidade global instalada de energia renovável aumentou cerca de 50% desde o final de 2022, chegando a 5,1 TW (terawatts), segundo a Agência Internacional de Energia Renovável.

A capacidade global de carvão cresceu 6%, para cerca de 2,2 TW no mesmo período, já que o fechamento de usinas na Europa compensou o crescimento na Ásia.

"Até agora não estamos vendo um aumento em novas propostas de carvão", disse Christine Shearer, analista de pesquisa do Global Energy Monitor. "O desenvolvimento [de novas usinas a carvão] permanece estável na China, mas isso já era o caso antes do conflito".

"Em outros lugares, a maioria dos relatórios aponta que países estão elevando os limites de consumo de carvão ou adiando fechamentos devido ao aumento dos preços do gás, não construindo novas usinas a carvão", acrescentou.

Luca Bergamaschi, cofundador do think-tank italiano de mudanças climáticas Ecco, disse que um grande retorno à energia a carvão na Itália é "implausível". A maioria das usinas a carvão no país está ociosa há anos e exigiria novas licenças ambientais e reformas custosas para ser reativada.

A chave para o apelo do carvão em crises, além da disponibilidade, é que ele é uma fonte confiável de eletricidade e não depende de condições climáticas para geração. Alguns governos estão voltando atenções para a energia nuclear por razões semelhantes. Segundo estimativa do Financial Times, 5,1 TW de capacidade instalada de renováveis equivalem a cerca de 1,5 TW na prática, uma vez que se leva em conta a intermitência de tecnologias como eólica e solar.

Ainda assim, o crescimento das renováveis tem sido significativo. No ano passado, parques eólicos e solares produziram globalmente cerca de 800 terawatts-hora de eletricidade a mais do que no ano anterior, segundo o think-tank Ember —aproximadamente três vezes o consumo anual do Reino Unido.

O preço dos painéis solares despencou quase 70% entre o início de 2022 e o final de 2025, segundo o grupo de pesquisa energética BloombergNEF e a PV Infolink, devido à enorme capacidade na China, que domina o mercado global. A queda nos preços das baterias deve ajudar com a intermitência das renováveis. Os preços das baterias também caíram 36% desde 2022, segundo a BNEF.

Há evidências iniciais de um aumento no interesse dos consumidores por painéis solares, à medida que aumenta a preocupação com os preços do gás e da gasolina.

A Octopus Energy, maior fornecedora de energia residencial do Reino Unido, disse que suas vendas de painéis solares aumentaram 54% durante as três primeiras semanas de março em comparação com o mesmo período um mês antes, embora não tenha revelado números absolutos.

No entanto, as consequências econômicas da guerra no Irã ainda podem criar problemas para a transição energética.

Executivos do setor de renováveis estão acompanhando de perto as expectativas para as taxas de juros, que podem cair mais lentamente ou aumentar para conter a inflação. Projetos de energia renovável exigem muito capital inicial.

O ritmo de acesso à rede elétrica e a obtenção de licenças de planejamento também continuam sendo um desafio para as renováveis em muitos mercados.

Mark Dooley, presidente executivo da Macquarie Asset Management Green Investments, uma das maiores investidoras verdes do mundo, disse que estão aprovando investimentos e iniciando construções em projetos de renováveis "o tempo todo".

Mas acrescenta: "Nossos desafios são os perenes de processos de licenciamento e acesso à rede, que encontramos em todo o mundo e exigem coordenação para avançar —e há progresso nessa frente."

O choque econômico também corre o risco de fortalecer partidos populistas que se opõem a uma transição energética rápida. O apoio às renováveis já havia enfraquecido antes da guerra, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, cortou incentivos da era Joe Biden. Na UE, Bruxelas enfrentava crescentes pedidos para recuar em sua agenda verde.

Desde o início do conflito, a Itália e nações da Europa Central intensificaram apelos por grandes reformas no principal esquema de comércio de carbono da UE, que sustenta os investimentos em energia limpa.

Políticos na Europa e no Reino Unido também reabriram discussões sobre limites nos preços do gás ou reformulação dos mercados de eletricidade para separar o preço da eletricidade gerada por renováveis do preço da eletricidade produzida por gás.

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