'피소테'에서 영감을 받은 필리핀계 미국인 아티스트, 상파울루에서 전시 개최

'Pixote' é inspiração para artista filipino-americano com mostra em São Paulo

Folha de Sao Paulo Eduardo Moura PT 2026-04-09 13:00 Translated
헥토르 바벤코 감독의 영화 "피소테, 약자의 법칙". X-Men의 뮤턴트 미스틱. 발코니에서 아기를 흔드는 마이클 잭슨. 담배를 피우며 모든 것을 지켜보는 제임스 볼드윈. 더 읽기 (2026년 9월 4일 - 오전 10시)
헥토르 바벤코 감독의 영화 "피소테, 약자의 법칙". X-Men의 뮤턴트 미스틱. 발코니에서 아기를 흔드는 마이클 잭슨. 담배를 피우며 모든 것을 지켜보는 제임스 볼드윈.

만화책부터 디에고 벨라스케스까지 다양한 참조물들이 아티스트 니콜라스 그라피아의 작품에서 만난다. 그는 목요일(9일) 상파울루의 다니엘리안 갤러리에서 "Meet Me Halfway"(중간에서 만나자) 전시회를 개최한다.

이번 전시를 위해 제작된 새로운 캔버스들을 통해 이 아티스트는 현실과 판타지 사이의 긴장관계를 탐구한다.

아마도 그의 독특한 출신 배경이 이러한 독특한 조합들을 설명해 줄 수 있을 것이다. 독일에서 성장한 그는 미국인 아버지와 필리핀인 어머니 사이에서 태어났다.

그라피아는 어린 시절 독일 텔레비전 채널에서 우연히 브라질 영화 "피소테"를 보게 되었다고 말한다. 이 장편영화는 지속적인 영향을 미쳤으며 특히 배우 호르헤 줄리앙이 연기한 릴리카라는 인물을 통해 자신의 퀴어 정체성 깨어남에 중요한 역할을 했다고 한다. 릴리카는 미성년 범죄자 교정 시설에 수감된 젊은 트랜스젠더 여성이다.

릴리카는 전시회에서 자신만의 그림으로 등장한다. 이는 그녀를 연상시키는 인물이 화려하고 우아하게 표현되며, 관객을 정면으로 위에서 아래로 내려다보는 초상화다. 호화롭고 동시에 소박한, 정교한 세부사항 없이 그려진 장면으로, 아티스트 자신이 말한 대로 감자 자루를 연상시키는 표면에 그려졌다.

바벤코 영화에 대한 또 다른 직접적인 참조는 마릴리아 페라 역의 등장인물이 자는 침대다. 빨간색 톤으로 둘러싸인 세 개의 얼굴을 연상시키는 인물들을 볼 수 있다.

이 아티스트는 또한 뱀파이어와 좀비에 대한 자신의 매력에 대해 이야기한다. 이 생명체들이 번식하기 위해서는 이성과의 관계가 필요하지 않으며, 단지 자신이 원하는 누구든 물면 된다. 이러한 환상의 생명체들과 현실의 인물들이 섞이면서 그라피아가 지각, 현실, 판타지에 대해 제기하는 질문들이 모인다.

그라피아의 관심을 끄는 또 다른 인물은 파란 피부의 뮤턴트 미스틱이다. 이 인물은 자신이 원하는 누구로든 변신할 수 있다. 남성, 여성, 그리고 그 사이의 모든 것. 이러한 신비로운 유동성이 아티스트의 지각에 영향을 미쳐, 그는 이 악당의 파란 톤을 자신의 자화상에 재현한다.

또 다른 캔버스에서는 "오즈의 마법사"를 연상시키며, 파란 도로시가 주석 인간을 칠한다. 갈색인지 은색인지 알 수 없다. 아마도 도널드 트럼프의 이민 경찰인 ICE가 저지른 공포에 대한 은유이기도 하고, 자신이 가는 장소에서 자리 잡지 못하거나 환영받지 못한다고 느끼는 모든 사람들에 대한 은유이기도 하다.

이러한 참조물들의 혼합의 정점은 "대도둑질(네버랜드 갱단)"에 있다. 캔버스 상단 모서리에는 마이클 잭슨을 연상시키는 인물이 아기를 흔드는 발코니가 보인다. 이는 2002년 파파라치를 즐겁게 한 한 사건에 대한 참조다.

하지만 관객은 안심해도 된다. 미숙한 아기에게는 아무것도 일어나지 않을 것이다. 왜냐하면 누군가 아이가 미국 팝스타의 팔에서 떨어질 경우에 대비한 안전망을 잡고 있기 때문이다. 그 사람은 바로 그라피아 자신이다.

하단 모서리에서는 미국 시인 제임스 볼드윈이 공원 벤치에 앉아 차분하게 담배를 피우며 모든 것을 지켜본다. 아티스트에 따르면 이 분위기는 영화 "피소테"에서 볼 수 있는 색감을 연상시킨다. 세계를 여행했던 볼드윈은 브라질에 온 적이 없다. 따라서 이것이 그라피아가 이 예술가의 브라질 방문이 어떨 것인지 상상하는 방식이다.

주제에 관한 모든 것을 읽고 팔로우하세요:

O filme "Pixote, a Lei do Mais Fraco", de Hector Babenco. A mutante Mística, dos X-Men. Michael Jackson balançando um bebê numa sacada. James Baldwin vendo tudo enquanto fuma um cigarrinho. Leia mais (04/09/2026 - 10h00)

O filme "Pixote, a Lei do Mais Fraco", de Hector Babenco. A mutante Mística, dos X-Men. Michael Jackson balançando um bebê numa sacada. James Baldwin vendo tudo enquanto fuma um cigarrinho.

Referências das mais díspares, que vão de histórias em quadrinhos a Diego Velázquez, se encontram no trabalho do artista Nicholas Grafia, que abre sua exposição "Meet Me Halfway" —ou me encontre no meio do caminho—, nesta quinta-feira (9), na Danielian Galeria, em São Paulo.

Com telas inéditas produzidas para a ocasião, o artista investiga tensões entre realidade e fantasia.

Talvez sua própria origem ajude a explicar as combinações pouco convencionais. Criado na Alemanha, ele é filho de um americano e de uma filipina.

Foi na infância que Grafia diz ter, por acaso, se deparado num canal de televisão alemão com o filme "Pixote". O longa brasileiro causou um impacto permanente e foi importante para o seu despertar queer, afirma o artista, sobretudo por meio da personagem Lilica —vivida pelo ator Jorge Julião—, uma jovem travesti que vive com os demais personagens no reformatório para menores infratores.

Não por acaso, Lilica ganha um quadro só para ela na exposição. É um retrato em que uma figura que remete a ela aparece opulente, glamurosa, olhando o espectador de rosto erguido, de cima para baixo. Uma cena grandiosa e, ao mesmo tempo, crua, sem detalhes rebuscados, pintada numa superfície que lembra um saco de batatas, como o próprio artista diz.

Outra referência direta ao filme de Babenco é a cama onde dorme a personagem de Marília Pêra. É possível ver três figuras que lembram rostos, rodeados por tons em vermelho.

O artista também fala de seu fascínio por vampiros e zumbis. Para se reproduzirem, essas criaturas não precisam se relacionar com alguém do sexo oposto; basta morder quem eles quiserem. As criaturas fantásticas misturadas a figuras da vida real se juntam num questionamento que Grafia faz sobre percepção, realidade e fantasia.

Outra figura que desperta interesse em Grafia é a Mística, personagem azulada que se metamorfoseia em qualquer um que quiser —homem, mulher e tudo o que estiver no meio. Essa fluidez mística contamina a percepção do artista, que reproduz os tons azulados da vilã em autorretratos dele próprio.

Numa outra tela, remetendo a "O Mágico de Oz", uma Dorothy azulada pinta o Homem de Lata —de marrom ou de prateado, não se sabe. Talvez uma metáfora para os horrores cometidos pelo ICE de Donald Trump, a polícia migratória americana, mas também uma metáfora para todos que se sentem deslocados ou não muito bem-vindos naqueles lugares aos quais se dirigem.

O ápice dessa mistura de referências está em "O Grande Golpe (Gangue da Terra do Nunca)". No canto superior da tela, vê-se uma sacada em que uma figura que lembra Michael Jackson balança um bebê, uma referência a um episódio que regozijou os paparazzi em 2002.

Mas o espectador pode manter a calma —nada acontecerá com o pobre neném, pois uma pessoa segura uma rede de segurança para caso a criança escorregue dos braços do pop star americano. A pessoa, no caso, é o próprio Grafia.

No canto inferior, quem assiste a tudo é o poeta americano James Baldwin, fumando calmamente, num banco de praça. A ambiência, diz o artista, remete às cores que se vê no filme "Pixote". Baldwin, que viajou mundo afora, nunca veio ao Brasil. Então esta é a forma de Grafia imaginar como seria a visita do artista ao país.

Leia tudo sobre o tema e siga: